Peste negra

        

A Peste Negra

 A peste bubónica, ou peste negra, fez verdadeiras razias por todo o mundo ocidental. Em Portugal a peste entrou no Outono de 1348. Matou entre um terço e metade da população o que, como é fácil de imaginar, teve efeitos tremendos sobre a organização da sociedade, reduzindo o Estado ao caos. A convocação das Cortes de 1352 teve como principal objectivo a definição das medidas necessárias para restaurar a ordem. Vestimenta dos médicos, na Idade Média, para visitar doentes atingidos pela pesteA peste entrou na Europa, trazida do extremo-oriente, na sequência das invasões mongóis. Foi só a partir do século XIX que o conhecimento científico permitiu determinar o mecanismo de propagação da doença e as medidas sanitárias mais adequadas para a controlar. Durante os séculos XIV a XVII, em que a peste foi dizimando gerações sucessivas (embora com níveis de gravidade variável), o conhecimento sobre a maneira de controlar a doença era quase nulo e, na maioria dos casos, erróneo. A peste é causada pela bactéria Yersinia pestis (pequeno bacilo encapsulado Yersinia pestisGram-negativo) que se espalha através das pulgas dos ratos pretos Rattus rattus (vulgo ratazana do esgoto) ou outros roedores. A peste nos humanos é causada pelo contacto com roedores infectados. As pulgas dos roedores recolhem a bactéria do sangue dos animais infectados, e quando estes morrem, procuram novos hóspedes: pessoas, cães, gatos… No caso dos humanos o contágio tanbém se pode dar por inalação de gotas de líquido de espirros ou tosse de individuo atingido pela peste. A doença leva de dois a cinco dias para se estabelecer. Os sintomas iniciais são inflamação dos gânglios linfáticos (formando bubos que estão na origem do nome da peste “bubónica”) e leves tremores. Seguem-se vómitos, dor de cabeça, vertigem, intolerância à luz, sonolência, dor nos membros e nas costas, apatia, febre de 40ºC e delírio. A diarreia surge nas formas mais graves da doença, que provoca a morte em 60% dos casos não tratados. Ao contrário do que muita gente acredita a peste bubónica ou peste negra não é uma doença do passado medieval. Esta doença ainda existe nos dias de hoje. Há zonas do planeta, que não a Europa, onde a peste bubónica surge frequentemente (segundo a OMS ocorrem 1000 a 3000 casos anuais de peste). A grande diferença em relação ao passado é que, hoje em dia a peste bubónica é uma doença grave mas controlável. Não só porque se conhece o mecanismo de disseminação e as medidas eficazes para a controlar como, além disso, a doença é curável recorrendo à administração de antibióticos, como a gentamicina e a estreptomicina.

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